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São Paulo Viver em comunidade é realidade no interior de São Paulo

Viver em comunidade é realidade no interior de São Paulo

Pedro Zucchini
Porangaba (169 km a oeste de São Paulo) possui um grupo especial de habitantes: 18 adultos e uma criança vivem em uma comunidade auto-sustentável batizada de Parque Ecológico Visão Futuro, que ocupa uma área de 70 hectares. Eles fazem as refeições juntos, compartilham as salas de meditação e de TV, moram em casas comunitárias e trabalham na própria comunidade.

O Visão Futuro é uma ecovila, cujo formato é uma herança das comunidades alternativas dos anos 60. O conceito, porém, é diferente daqueles usados pelos hippies.

"As ecovilas respondem mais ao que as pessoas de hoje querem e precisam, pois inovam constantemente em tecnologia e em forma de governança", diz a socióloga paulistana May East, que mora há 11 anos em Findhorn, no Reino Unido, a primeira ecovila do mundo. East é consultora da GEN (Global Ecovillages Network ou Rede Global de Ecovilas) e representa o movimento na ONU. "Para as Nações Unidas, as ecovilas são a revolução do habitat", diz ela.

"A auto-sustentabilidade vai ao encontro das necessidades do presente sem comprometer a sobrevivência das gerações futuras." De acordo com dados da GEN, há cerca de 15 mil ecovilas espalhadas pelo mundo, somando perto de 1 milhão de moradores. No Brasil, existem cerca de 30 comunidades, assessoradas pela Rede de Ecovilas das Américas, que dá suporte e integra as comunidades do continente. Cada ecovila reúne até 2.000 pessoas dispostas a criar estratégias para viver melhor, baseando-se em valores como o respeito à natureza, a importância das relações interpessoais e a diversidade.

Objetivo compartilhado

O ideal comum que rege a vida de cada uma dessas comunidades é chamado de "cola". A "cola" do Visão Futuro, por exemplo, é a espiritualidade. Seus moradores praticam ioga e meditação de acordo com os métodos da biopsicologia, que integra as pesquisas em psiconeuroimunologia do Ocidente com uma milenar prática oriental que relaciona as vibrações dos "chakras" -centros de energia do corpo- com as secreções endócrinas.

Já na ecovila australiana Crystal Waters, a "cola" é a permacultura e o design ecológico. Os primeiros moradores viveram em cabanas durante quatro estações para observar a direção do sol e dos ventos e as épocas de chuva e neve para depois escolher os melhores locais e materiais para suas casas e decidir quais alimentos produzir e como plantá-los.

Nas ecovilas, consome-se pouco, reutiliza-se muito e recicla-se quando necessário. A agricultura é orgânica e sazonal. O que falta de alimento é obtido com produtores e comerciantes regionais, fortalecendo a economia local. Os sistemas de captação de energia são renováveis e atóxicos, obtidos com tecnologia sofisticada, porém não agressiva ao ambiente. A água é reaproveitada ao máximo: depois de utilizada nos chuveiros e na cozinha, ela é tratada e irriga a horta, por exemplo.

Na escocesa Findhorn, as casas -feitas com a madeira reaproveitada de barris de uísque- são iluminadas e aquecidas com a combinação de energia eólica, placas solares e lenha de florestas de manejo sustentável. Frequentemente, roupas e objetos são trocados entre os moradores na "butique" local.

Garantir trabalho para cada um também faz parte dos objetivos desses agrupamentos, caracterizados como multifuncionais. As atividades variam de acordo com o nível de desenvolvimento da comunidade. As ecovilas mais antigas possuem vários negócios, como gravadoras, editoras, construtoras, laboratórios de essências florais, estúdios de design ecológico para tratamento de água, serviços de informática e escolas.

Tudo pensado de modo a não tirar nada da natureza que não possa ser devolvido. Nem todas as ecovilas estão localizadas em áreas rurais. Há cerca de dez comunidades urbanas; a primeira delas foi criada em Los Angeles (EUA). Pensar e decidir em grupo faz parte da vida comunitária.

Por isso, segundo East, cada ecovila deve abrigar, idealmente, até 500 pessoas, honrando a diversidade cultural, religiosa e de raça. "Nesse tamanho, todos se reconhecem, e todas as vozes podem ser ouvidas, sem a necessidade de nomear representantes."

Quebra-cabeça

"Temos gente de todos os tipos para contribuir com um pedaço do quebra-cabeça", diz a socióloga e psicóloga americana Susan Andrews, uma das fundadoras do Parque Ecológico Visão Futuro. A comunidade nasceu em 1997 a partir de um projeto de educação ambiental desenvolvido por ela.

Andrews, que morou por 30 anos na Índia, formou-se monja e fala 12 línguas, explica que o Visão Futuro, como as outras ecovilas, visa suprir as necessidades básicas de seus moradores: trabalho, alimento, vestuário, educação, saúde, moradia e energia.

A principal fonte de renda do parque são os cursos de biopsicologia ministrados por Andrews e sua equipe nos finais de semana. O restante é obtido com os tratamentos de ayurveda (medicina tradicional indiana) e com a venda de verduras orgânicas, cosméticos e produtos da padaria e da doçaria. As atividades do Visão Futuro incluem ainda elaboração de publicações, laboratório de plantas medicinais, oficina de costura e centro de artes e comunicação.

Todos esses setores têm o compromisso de contribuir com a arrecadação, destinada a pagar as despesas coletivas do Visão Futuro -alimentação, eletricidade, telefone, gás, produtos de limpeza e salários de funcionários e moradores. O que sobra vai para o setor que mais arrecadou. "Funciona como uma cooperativa: os setores são semi-autônomos e investem na atividade e nos profissionais, o que gera mais motivação", diz Andrews.

O Visão Futuro conta com cinco casas comunitárias, onde moram os novos membros da comunidade, e quatro individuais, que abrigam os moradores mais antigos. Andrews afirma que a vivência nas moradias compartilhadas é importante para a pessoa amadurecer a idéia de morar na comunidade. "Mas isso não é uma imposição, é também circunstancial. Prezamos a individualidade, as pessoas querem ter seu espaço, isso é saudável. Mas não temos recursos para oferecer moradia nova para todos nesse momento", explica.

As refeições são preparadas na cozinha comunitária, que, como os mantimentos da dispensa, está disponível a todos os moradores. Na hora de comer, é só escolher um cantinho. Mesas e cadeiras estão espalhadas sob as árvores, no refeitório e dentro da cozinha. É difícil ver alguém almoçando ou jantando sozinho, embora cada casa a tenha sua própria cozinha.

"Cozinhar para todo mundo é mais eficiente, poupa tempo. Além disso, as refeições são momentos de encontro", diz Andrews. O chefe de cozinha Luiz Carlos Cardoso elabora, junto com os moradores, um cardápio semanal balanceado, sempre lactovegetariano, que é a dieta adotada por essa comunidade -nem todas as ecovilas são vegetarianas. Quitutes especiais, como tortas, geléias e chocolates podem ser comprados na padaria, na doçaria ou nos mercados da cidade.

Mais informações: Conheça as ecovilas nos sites www.visaofuturo.org.br, www.findhorn.org, gen.ecovillage.org e ena.ecovillage.org/espanol/index.html

Fonte: Folha
 

Comentários   

 
0 #36 patti 09-12-2014 14:24
Tenho muita vontade de viver numa comunidade, acho uma experiência fantástica.
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Como é viver em comunidade?
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0 #31 neusa 28-11-2014 11:10
...123
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0 #30 neusa 28-11-2014 11:08
:o
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0 #29 neusa 28-11-2014 11:07
........
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0 #28 neusa 28-11-2014 11:06
será ? ;-)
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0 #27 neusa 28-11-2014 11:05
??
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